sábado, 30 de junho de 2012

64ª Reunião Anual da SBPC


Com o tema "Ciência, Cultura e Saberes Tradicionais para Enfrentar a Pobreza", o encontro acontece de 22 a 27 de julho, em São Luís (MA).
A organização da 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) trabalha nos últimos preparativos para um dos maiores eventos científicos da América Latina, que neste ano acontece na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), de 22 a 27 de julho.

Realizada desde 1948, com a participação de autoridades, gestores do sistema nacional de ciência e tecnologia (C&T) e representantes de sociedades científicas, a Reunião é um importante meio de difusão dos avanços da ciência nas diversas áreas do conhecimento e um fórum de debates de políticas públicas em C&T.

O tema da Reunião Anual da SBPC deste ano é "Ciência, Cultura e Saberes Tradicionais para Enfrentar a Pobreza". De acordo com os organizadores, toda a estrutura de inscrições e organização dos eventos deste ano foi adaptada para que a acessibilidade esteja disponível, inserindo definitivamente a SBPC no modelo sustentável de eventos.

O evento foi realizado em São Luís pela primeira vez em 1995. 17 anos depois, voltam à capital maranhense estudantes, professores e pesquisadores de todo o País, que vão apresentar trabalhos e experimentos científicos em conferências, encontros e mostras.

A programação científica é composta por conferências, simpósios, mesas-redondas, encontros, sessões especiais, minicursos e sessões de pôsteres para apresentação de trabalhos científicos. Também são realizados diversos eventos paralelos, como a SBPC Jovem (programação voltada para estudantes do ensino básico), da ExpoT&C  (mostra de ciência e tecnologia) e da SBPC Cultural (atividades artísticas regionais).

Os interessados em participar dos minicursos oferecidos têm até o dia 11 de julho para fazerem sua inscrição. As vagas remanescentes serão oferecidas para inscrição durante o evento, nos dias 22 e 23 de julho. As aulas dos minicursos serão ministradas do dia 24 a 27 de julho. Mais informações sobre as normas para matrículas nos minicursos estão disponíveis no link http://www.sbpcnet.org.br/saoluis/inscricao/minicursos.php.

Confira mais detalhes sobre as atividades da 64ª Reunião Anual da SBPC e a programação científica preliminar no site do evento:http://www.sbpcnet.org.br/saoluis/home/.

(JC com informações da SBPC)

Revista SER Social: Política Social - Criança e Adolescente


Prezado/a(s) Pesquisador(es/as),

Tendo em vista a publicação do Nº 31 da Revista SER Social do Programa de
Pós-graduação em Política Social da UnB (mestrado e doutorado), cujo tema é
- Política Social - Criança e Adolescente, vimos solicitar sua valiosa
colaboração com o envio de artigo(s) de sua autoria ou co-autoria.

A nossa revista possui conselho editorial interdisciplinar, é qualificada
como Qualis B1 pelas agências Capes/CNPq e já se encontra em circulação
nacional há mais de dez anos (ISSN 1415-6946).

A sessão temática estabelecida pelo Colegiado do programa de Pós-Graduação
em Política Social para o Número 31 da Revista Ser Social pretende acolher
um conjunto de trabalhos com análises sobre o processo de reconhecimento e
garantia direitos, de base universalizante, à crianças e adolescentes, com
ênfase nos desafios colocados ao Estado e à sociedade.  Pretende-se que os
trabalhos tematizem os padrões e as características das ações orientadas à
garantia da cidadania de crianças e adolescentes, em curso hoje, com atenção
especial ao modo como se apresentam as diferentes forças e sujeitos sociais
presentes nesse debate e quais  estratégias   e limites  colocados para a
política social no sentido de consolidar e ampliar direitos  a cidadania de
crianças e adolescentes.

Informamos que o prazo limite para postagem das contribuições é 30 de agosto
de 2012. Só serão submetidos à avaliação, trabalhos enviados pela página da
Revista SER Social - http://seer.bce.unb.br/index.php/SER_Social>,
observadas as normas explicitadas nas Diretrizes para Autor/a(es/s),
disponibilizadas na referida página.

Atenciosamente,

Maria Lúcia Leal
Grupo Violes/SER
Universidade de Brasília

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Remanejamento na SEDF


Inscrições para o Concurso de Remanejamento


O remanejamento de professoras(es) e orientadoras(es) ficará com as inscrições abertas até 20 de julho de 2012. O processo de negociação foi concluído ainda na primeira quinzena de junho e trará pequenas modificações, visto que ao longo dos últimos 4 processos o Sinpro trabalhou na comissão buscando o aperfeiçoamento do procedimento que é garantido em nosso Plano de Carreira, Lei nº 4.075/2007 e, de forma mais recente, pela Lei Complementar nº 840/2011.
A portaria nº XX/2012 e o edital nº XX/2012, que normatizam o processo, será publicada no Diário Oficial do DF (DODF) nos próximos dias. Essa portaria normatiza não apenas o concurso, mas o dia-a-dia do professor no que tange às normas de lotação e exercício nas escolas. Ressaltamos que a lei 4.075 (atual Plano de Carreira) garante em seu artigo 5º, § 3º que o remanejamento se dará anualmente, portanto, esta portaria vem  para regulamentar o processo deste ano e os atos de lotação e exercício até o remanejamento de 2013. No Edital normativo, as trabalhadoras e trabalhadores poderão obter detalhamentos do procedimento, sendo que para concorrer a vagas que exigem entrevista e avaliação, os concorrentes devem observar as datas e documentos específicos.
As Coordenações Regionais de Ensino (CRE) de Ceilândia e do Paranoá voltaram a ser consideradas como áreas de lotação.
Todos os professores recém-contratados precisam se inscrever no concurso de remanejamento, mesmo aqueles que estão trabalhando nas áreas conhecidas como “de lotação”. O exercício na escola está condicionado a ter participado da distribuição de turmas (do início do ano, não havendo exceção para as escolas de regime semestral), de forma que ninguém que foi contratado este ano tem esta condição.
Ao final do ano letivo todos os professores que atualmente estão com o exercício na escola de forma provisória (independentemente de possuir lotação definitiva) serão devolvidos para a CRE de origem ou mesmo para a Sede da SEDF. Portanto, inscreva-se no procedimento para regularizar seu exercício em 2013!
O Sinpro antecipa agora os principais pontos presentes na portaria:
- INSCRIÇÃO: de 30 de junho a 22 de julho de 2012 pelo site da SEE;
-RECURSO: não haverá uma data prévia. O inscrito deverá observar a data de divulgação do resultado preliminar que a SEE divulgará em seu site a qualquer momento (logo após a finalização do prazo das inscrições), em seguida a esta data será aberto um prazo de 5 (cinco) dias úteis para a interposição de recursos.
- A escolha da escola será presencial (antigo “pregão”);
- O concurso se dará de duas formas:
Interno: 1ª etapa e 2ª etapa
Externo: 1ª etapa e 2ª etapa
Vagas: elas serão apresentadas antes da realização do concurso;
Transparência: cada escola terá que publicar em âmbito local a situação funcional de cada professor (lotação, como chegou na escola – ofício, remanejamento, permuta…), facilitando assim a fiscalização do processo pelos próprios professores da escola;
Pontuação adicional (em 20%): aplicado para quem fizer opção no remanejamento externo por trabalhar na mesma regional onde reside ou em cidades do entorno que estejam listadas no edital, e/ou em escolas de zona rural. A pontuação também é aplicada no remanejamento interno, caso o professor resida na cidade da escola pleiteada ou em cidades do entorno que estejam listadas no edital;
Permutas: por recomendação do Ministério Público, ocorrerão nos 15 primeiros dias do início do ano letivo e nos 5 finais de cada semestre letivo. Contudo, aqueles que se remanejarem estarão impedidos de solicitar permuta ou mudança de exercício pelo período de um ano letivo.
Habilitação: o professor que possui mais de uma habilitação e que desejar concorrer nestas outras habilitações deve conferir nas CREs quais habilitações estão constando no SIGRH, antes de finalizar a inscrição. Os professores que têm habilitado mais de uma disciplina no SIGRH devem estar atentos ao desdobramento destas habilitações: uma vez habilitado poderá ser obrigado a lecionar em disciplina diferente da de concurso público. Assim, recomendamos que se esse não seja seu interesse, compareça na CRE para solicitar o desligamento das habilitações diferentes da de concurso público.
- Possibilidades de atuação: Todas as áreas de atuação constarão no concurso de remanejamento, das quais destacamos, além da regência de classe a sala de recurso, itinerância e equipes de aprendizagem.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Ministério do Esporte e a Copa 2014: cadê as Políticas Sociais?


Abaixo coloco uma entrevista do Ministro do Esporte sobre a Copa de 2014.
O que vocês acharam da entrevista?
Há quanto tempo um Ministro do Esporte não dá uma entrevista sobre Políticas Sociais de Esporte e Lazer?
Há quanto tempo não há na agenda política do Ministério do Esporte, o Programa Segundo Tempo e o Programa Esporte e Lazer da Cidade???

Em entrevista ao jornal Brasil Econômico, ministro reafirma confiança no sucesso da Copa   
ENTREVISTA/ALDO REBELO, ministro do Esporte

Preocupado? Não. Despreocupado? Também não! Segundo o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, a Copa do Mundo de 2014 traz desafios, mas não há mistérios nem dificuldades para o Brasil realizar o evento. “Não sou ingênuo. Sei dos problemas, e o governo está trabalhando para resolvê-los”, afirma o ministro.

Aliás, sobre as dificuldades em abrigar um acontecimento que mobiliza todo o mundo, Aldo afirma que difícil foi construir um país de proporções continentais. Estádios, aeroportos, linhas de metrô, de acordo com o ministro, são fáceis se comparados à construção de cidades como Manaus e Cuiabá. “Temos um espírito de ousadia e sacrifício. Desenvolver uma metrópole no meio da Amazônia foi difícil. Um estádio lá é apenas um desafio”, afirma Aldo Rebelo.

Perguntado sobre o legado que a Copa do Mundo deixará para o país, o ministro foi enfático: “Haverá um legado espiritual e afetivo”. Cheio de histórias para contar de pessoas que foram tocadas pelo evento em ou tras ocasiões, Aldo afirma que o sentimento nacionalista será reforçado com a exposição do país e com a integração de outros estados que os jogos proporcionarão.

Segundo ele, o que está acontecendo é a construção de uma nação unida. “ O Brasil não é apenas o Sul e o Sudeste. O nosso deserto ocidental, a Amazônia, não pode ser integrada apenas nos mapas. Tem que ser integrada de fato. O povo brasileiro tem que ver de perto Manaus, a maior metrópole amazônica, e Cuiabá, que foi fundada pelos Bandeirantes no fim do século 15. O Brasil precisa fazer esse esforço de realizar a Copa em todo o Brasil.”

Durante a visita que fez ao Brasil Econômico, Aldo falou também sobre a sustentabilidade das obras previstas para o evento. Ele afirma que os projetos desenvolvidos para os estádios estão criando o que haverá de melhor no mundo. Seu entusiasmo sugere que novas tecnologias deixarão um legado para a reutilização de água por grandes empreendimentos e alternativas para o fornecimento de energia elétrica. Aldo cita os estádios de Brasília e de Curitiba como exemplos de sustentabilidade. “Essas obras estão ganhando prêmios em todo o mundo. O principal deles foi concedido pelo Green Building Council.”

Além da Copa, a Olimpíada do Rio de Janeiro também está entre as prioridades atuais de Aldo Rebelo. O ministro expõe suas previsões para os esportes olímpicos de 2016, os quais devem dar até 30 medalhas para o país, pouco menos que o dobro conquistado nos últimos Jogos Olímpicos, realizados em Pequim. “Ainda não temos uma meta, mas existe um trabalho feito em conjunto com todas as confederações brasileiras, para saber em quais esportes temos mais chances de conquistar medalhas”, diz.

Por fim, o ministro declara que está otimista com o futebol nacional, que, em sua previsão, deve conquistar a primeira medalha de ouro do Brasil no esporte já na Olimpíada de Londres: “Nunca tivemos um time tão maduro como este. É o nosso momento.”

Gustavo Machado e Rogério Reseke, do Marca Brasil
redação@brasileconomico.com.br

Mais de 40% das obras previstas para a Copa ainda estão no papel. Isso causa preocupação?
Essa palavra, preocupação, é de uma ambiguidade tamanha que se torna quase um talvez. Se dissermos que não estamos preocupados, fica parecendo um descaso. Se dissermos o contrário, então existe um problema grave. Contorno essa palavra para não ser prisioneiro das interpretações que ela suscita. As obras foram iniciadas em sua maioria. A outra parte cumpre o roteiro de projeto, licitação, contrato, um tempo importante. Dias desses recebi uma mensagem no Twitter de um cidadão dizendo que me queria como patrão, porque sempre digo que tudo está bem, que tudo é bem feito. Eu não quero criar a ideia da ingenuidade e de que tudo está resolvido. A Copa do Mundo impõe o desafio de fazer melhor o que já fazemos bem e de superar nossas deficiências.

Quais são os nossos desafios?
Temos problemas, principalmente, em telecomunicações. Em Brasília, estava vendo o jogo, começou a chuviscar e depois caiu a imagem. Isso não pode acontecer durante a Copa. Mas o governo tomou providências eficazes para que a transmissão seja perfeita. Até para a valorização do produto. Os projetos para os sistemas de banda larga e de 4G também são providencias importantes. Um desafio que tomamos também para a economia. Nem tudo está resolvido, precisamos trabalhar muito, mas a Copa não tem mistério, só trabalho.

E a mobilidade urbana?
Aeroportos estão resolvidos. O de Recife, por exemplo, terá o dobro de capacidade do que a demanda prevista para o evento. O de São Paulo terá em 2015 60 milhões de passageiros. Pelo cronograma do consórcio, em 2014 já não teremos problemas. Os desafios não são da capacidade, mas a concentração de voos em um faixa estreita de horário. Cerca de 60% do tempo, os aeroportos têm capacidade ociosa. É preciso racionalizar os pousos e decolagens. Já para o tráfego, são necessárias alternativas como metrô e veículos leves sobre trilhos, os VLTs. Cabe lembrar que parte das obras estava prevista antes da Copa. Em 2004, visitei Salvador para tratar do metrô, que já estava atrasado em mais de 10 anos. O de Fortaleza também já estava planejado antes. Projetos que não eram para a Copa, mas que terão que ser feitos à tempo do evento.

Quanto aos estádios, por que construir arenas em Cuiabá e Manaus, que podem ficar ociosas após a Copa?
O Brasil é um país gigantesco. A Amazônia Legal compreende 60% do território nacional. Seria inaceitável do ponto de vista do País realizar a Copa e excluir 60% de sua cultura, de sua origem, de sua história. Seria um erro inaceitável. O Brasil não é apenas o Sul e o Sudeste. O nosso deserto ocidental, a Amazônia, não pode ser integrada apenas nos mapas. Tem que ser integrada de fato. O povo brasileiro tem que ver de perto Manaus, a maior metrópole amazônica, e Cuiabá, que foi fundada pelos Bandeirantes no fim do século 15. A maior parte da população brasileira talvez nunca vá a Cuiabá, mas precisa saber como uma cidade daquele tamanho foi concebida no meio do Pantanal. O Brasil precisa fazer esse esforço de realizar a Copa no Brasil. A construção de uma nação passa por isso.

Mas e os custos logísticos? Não é desnecessariamente dispendioso estádios nesses locais?
Se me diz que é difícil construir um estádio em Manaus digo que difícil foi fazer Manaus. Há 40 anos, o exército encontrou, perto da Cabeça do Cachorro, um marco português de 1500 e sei lá quanto. Foi mais difícil levar essa para Brasília, para os jardins do Itamaraty, do que fazer o estádio. Foi mais difícil fazer um forte,
na boca do Rio Negro, no século 15. A marcha do Pedro Teixeira, que saiu de Cametá, no Pará, e foi até o Equador com mil canoas e assustou os espanhóis. Fazer aquele teatro em Manaus, que ainda é um dos 10 mais belos do mundo. No século 19, era preciso pegar um barco, que passava pelo rio Paraguai, cortava Assunção, Buenos Aires e Montevidéu e contornar a costa brasileira, para chegar ao Rio de Janeiro vindo de Cuiabá. Conheci um senhor que, para estudar medicina em 1940, fazia esse caminho. Isso era difícil e foi assim que o Brasil foi construído. Temos esse espírito de ousadia e sacrifício.

Mas elas não correm o risco de tornarem-se elefantes brancos?
Essas arenas não foram concebidas apenas como estádios. Em 1970, no México, foram construídos só estádios. O Morumbi e o Maracanã são belos estádios, mas só estádios. Eles ficaram superados por isso. Agora estamos construindo arenas multiusos. Wembley, em Londres, recebe apenas 10 jogos por ano. Mas há casamentos, restaurantes, museus, espestáculos. As novas arenas brasileiras estão sendo construídas com essa ideia. Os administradores do Amsterdã Arena visitaram Salvador porque desejam trabalhar com o espaço. Em Brasília, onde não há espaço para fazer um evento para mais de 8 mil pessoas em local fechado, acontece o mesmo. O estádio de Pernambuco é concebido em um acordo com a Odebrecht que se chama Cidade da Copa. Em uma área de 200 hectares, terá uma universidade, um conjunto residencial para 2.600 famílias, shopping center, centro de convenções. Creio que dessa forma, a possibilidade de ser um elefante branco é pequena.

Estes novos centros também passam pela ideia de integrar o país?
Isso é uma necessidade. Não podemos concentrar tudo em São Paulo e Rio de Janeiro. Essas são metrópoles que já atraem por natureza turismo e serviços. Elas são as portas do Brasil. Mas é preciso também levar para outros destinos esses eventos. Os organizadores querem sair do eixo Rio-São Paulo. Querem fazer convenções um ano em Porto Alegre, outro em Manaus, outro em Brasília e assim por diante. Portanto, é necessário haver infraestrutura logística e hoteleira, o que está sendo feito também.

Qual o legado que o senhor espera deixar com a Copa?
O que o evento deixa é um legado espiritual e afetivo, que as pessoas não valorizam, mas que eu valorizo muito. Li certo dia um depoimento de um barbeiro chileno que cortou o cabelo do Pelé. Li também outros de pessoas da comunidade que hospedaram a seleção brasileira em 1962. Além de hotéis e aeroportos, existe esse legado. Tratando-se apenas do legado material, haverá uma mudança de perfil do futebol brasileiro. Um novo perfil com conforto, segurança e qualidade dos estádios, que hoje são muito precários. Se criará um padrão novo de arenas, algo que já está se impondo. O Grêmio está fazendo uma arena que poderia receber qualquer jogo da Copa do Mundo, até mesmo a abertura. O Palmeiras também está fazendo uma bela arena. O São Paulo já obteve a licença da prefeitura para reformar o Morumbi. A gestão dos clubes levará isso em conta.

Outras áreas estão sendo mobilizadas?
Mobilizamos a ciência do país. Uma referência é essa iniciativa do Miguel Nicolelis, um homem respeitado da Neurociência, que quer fazer que uma criança possa entrar com a Seleção e dar um ponta-pé inicial. Fui à Suíça para criar a tecnologia de uma roupa especial que possa fazer com que uma pessoa portadora de deficiência seja capaz de dar esse chute. Isso pode criar até um legado industrial, que pode mudar todo o mundo. O Sérgio Danilo Pena, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), já fez pesquisas relacionadas a esse tema e quer recolher amostra de sangue de todas as seleções, fazer um DNA e mostrar que não existe raça. Existe maior diferença dentre uma única seleção do que entre outras. Além disso, a Sociedade Brasileira de Cardiologia quer fazer um legado para o SUS de prevenção de acidentes para atividade física, que pode atingir o aposentado e também um atleta de alto rendimento. Estamos ajudando a realizar os congressos para deixar um legado para a saúde pública. E tem o perfil turístico das cidades que receberão a Copa, que será modificado pela intensa exposição que a Copa dará.

Em tempos de Rio+20, como o sr. vê a sustentabilidade dos novos projetos?
Nossas obras estão ganhando prêmios, como o projeto de Brasília que ganhou o principal prêmio da área, concedido pelo Green Building Council. No Paraná, o projeto da Arena da Baixada prevê que toda a energia utilizada será produzida pelo próprio estádio, com o uso de placas solares. A Copel (Companhia Paranaense de Energia) forneceu gratuitamente os equipamentos e a instalação em função de um acordo que haverá a respeito de sobras de energia. A Copel recebe toda a energia produzida e devolve o necessário para o estádio. O excedente é comercializado como se tivesse sido produzido em uma usina dela.

O sr. tem um exemplo desse tipo de acordo?
Foi muito inteligente o acordo que o Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético Paranaense, conseguiu formatar. Esse é um modelo que pode ser utilizado por instituições privadas, como indústrias, hospitais e escolas. Um modelo de aproveitamento alternativo que traz benefícios para todos os setores. Em Brasília, a arena desenvolverá um novo sistema de reciclagem de resíduos. São projetos que trazem consigo a possibilidade de transferência de tecnologia e de modelos para qualquer empreendimento. Isso vai servir de referência também para as empresas que farão a Copa na Rússia, em 2018, e no Catar, em 2022. Até mesmo a grama que será utilizada nos campos possui um projeto específico. A Unesp (Universidade Estadual Paulista), em Botucatu, pesquisa novas tecnologias para melhorar o sistema de drenagem dos gramados. A própria Fifa reconheceu que os estádios estão sendo construídos com o que há de melhor.

Tempos atrás, o Ronaldo afirmou que gostaria de assumir o Ministério do Esporte. Ele já está pronto?
O Ronaldo tem todas as qualidades para assumir o Ministério do Esporte, além de outras funções correlatas. É uma pessoa séria, com virtudes espirituais. Considero-o uma pessoa generosa, do bem. Ele já possui certa experiência profissional, a qual adquiriu trabalhando no mercado relacionado ao esporte. Tem espírito público, sempre coopera com o interesse comum. Ele já teria condições de assumir o ministério hoje.

Após a Copa, teremos apenas dois anos para a Olimpíada. Como vê nosso desempenho nos esportes olímpicos?
Já melhoramos a nossa política e nossos instrumentos para desenvolver o esporte de alto rendimento. Nos últimos 10 anos, criamos a Lei Agnelo/Piva, que criou um financiamento para o esporte e aumentou os repasses de recursos para o Comitê Olímpico Brasileiro e para as confederações. A Lei de Incentivo ao Esporte significou uma grande renúncia fiscal, que beneficiou muito a prática esportiva. Tem acontecido uma evolução dos recursos destinados aos clubes, como o Pinheiros, em São Paulo, o Minas Tênis Clube. Isso já melhorou nosso desempenho, como vimos em Pequim, em 2008, e no esporte paralímpico. Criamos um plano de medalhas, para que o Brasil tenha em 2016, não apenas a celebração da Olimpíada, mas que no quadro de medalhas faça um papel coerente com a posição de país sede. Em todos os estados, vamos construir equipamentos que serão o legado desse grande evento. A Olimpíada não será apenas da cidade do Rio de Janeiro, mas de todo o Brasil.

Como será a distribuição desses equipamentos?
Vamos distribuir os equipamentos por afinidade. No Piauí, existe um dos polos de badminton no país. O boxe tem em Salvador e em Belém centros de treinamento importantes, com uma estrutura já pronta que vamos melhorá-las. Algo semelhante será feito com o Centro Olímpico de Manaus. Em todos os esportes faremos isso.

Este plano de medalhas já possui uma meta para 2016?
Terá, ainda não tem, mas não depende do nosso desempenho agora na Olimpíada de Londres. É um trabalho muito detalhado e feito com cada confederação. Por exemplo, sabemos que são 18 medalhas em disputa no hipismo, um esporte que o Brasil tem certa presença. Fazemos um trabalho com a confederação para saber quais são os centros de excelência, quais são os atletas com potencial de conquistar uma medalha e como está sendo desenvolvido o esporte em outros países, como na Argentina. Entre nossos atletas com potencial, avaliamos sua profissão, carga de treino, se é preciso uma Bolsa-Atleta para que ele possa trabalhar menos e treinar mais. Isso está sendo feito em todas as modalidade pelo Comitê Olímpico Brasileiro em parceria com o ministério e as Forças Armadas.

Na área social. O que está sendo feito em relação a isso?
O esporte representa a integração, principalmente por meio da escola. O esporte de base, desenvolvido na escola é o principal fundamento do alto rendimento. Vemos modelos de outros países, como o cubano e o americano, modelos opostos, mas que possuem sua base na escola. Por isso, nós e o Ministério da Educação trabalhamos em conjunto. Dizem que na escola não há competição entre as crianças, que existe apenas o lazer. Mas as duas disciplinas não são excludentes. Pode-se fazer da educação física uma competição, que criará valor para o alto rendimento. Queremos fazer uma política nacional com base no aprendizado esportivo fornecido pela escola.

Ministro, será que neste ano sai a tão sonhada medalha de ouro para o futebol brasileiro?
Imagino que para o futebol masculino este é o melhor momento para o Brasil. Temos os melhores atletas no mundo em idade olímpica. Meias, atacantes, zagueiros. Neymar, Lucas, Damião, Oscar, Ganso. Todos amadurecidos, titulares, e que já jogaram torneios importantes. Nossa chance é grande.

Boletim (in)Formativo


Lançado edital para financiamento de documentários sobre o esporte olímpico brasileiro

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Foi lançado hoje (25) o segundo edital do projeto Memória do Esporte Olímpico Brasileiro, com financiamento de R$ 230 mil, para a produção nove curtas metragem que documentem a história de atletas brasileiros que conseguiram conquistas importantes em Olimpíadas. “O objetivo do projeto é construir um acervo audiovisual sobre a memória do esporte olímpico brasileiro. Não se tem nada organizado, então a gente pretende que, até 2016, se tenha pelo menos 70 filmes sobre o tema”, disse Daniela Greeb, diretora do Instituto de Políticas Relacionais, que coordena o projeto.
Como em 2011, no edital deste ano também está previsto a produção de um longa-metragem por um diretor convidado. O cineasta Ugo Giorgetti realizou em 2011 o filme México 1968 – A Última Olimpíada Livre. Para ele, os jogos ocorridos naquele ano são um importante marco para o esporte. “O ano é especial. É o ano que marca o fim de uma era. Essa Olimpíada [de 1968] marca inclusive, em métodos, maneira de ver o esporte”, declarou ao participar da cerimônia de lançamento do edital na Cinemateca Brasileira, na zona sul da capital paulista.
Além de uma mostra específica e da exibição na televisão, a ideia é levar os documentários para as escolas públicas de todo o país. “Para que os alunos das escolas públicas possam ver que eles também podem chegar a ser atletas”, ressaltou Daniela Greeb. O projeto, segundo ela, também é importante para os desportistas. “Tem um resgate da cidadania desses atletas que representam a nossa pátria”, completou.

I Encontro de Formação do Programa Saúde na Escola (PSE) do DF


O Programa Saúde na Escola (PSE), lançado oficialmente no Distrito Federal no ano de 2009, resulta da parceria entre Secretaria de Educação e Secretaria de Saúde, visando à integração e à articulação permanente da Educação e da Saúde, tendo como objetivo contribuir para a formação integral dos estudantes por meio de ações de promoção, prevenção e atenção à saúde. O público beneficiário do PSE são os estudantes da Educação Básica, os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), a comunidade escolar, bem como os gestores e os profissionais de Educação e Saúde.
Como parte das ações do Programa, acontecerá o I Encontro de Formação entre o Grupo Gestor Intersetorial e os Grupos Gestores Regionais do Programa Saúde na Escola do Distrito Federal (PSE/DF), nos dias 28 e 29 de junho de 2012, de 08 às 18 horas, no Auditório da Universidade Católica de Brasília – UCB, localizada na SGAN 916, Módulo B, Avenida W5, Asa Norte, Brasília – DF.
O Encontro de Formação será promovido pelo Grupo Gestor Intersetorial do Programa Saúde na Escola, do qual faz parte a Gerência do Programa de Saúde Escolar da Secretaria de Educação do Distrito Federal, em parceria com os Ministérios da Educação e da Saúde. O evento tem como objetivo realizar um processo de formação para gestores, profissionais da Educação e da Saúde, os quais atuam no PSE, trabalhando os conceitos e as diretrizes do Programa e discutindo estratégias para fortalecer as políticas públicas integradas e os significados fundamentais da Educação e da Saúde, com vistas à integralidade das ações em benefício dos escolares.
Serão disponibilizadas 4 (quatro) vagas por Regional de Ensino, para os profissionais participantes do Grupo Gestor Intersetorial e dos Grupos Gestores Regionais do PSE, e as inscrições poderão ser efetuadas pelo site www.hipertensao.med.br, até o dia 27 de junho de 2012. Informações adicionais pelos telefones 3901-2280 e 3901-2411 – Gerência do Programa de Saúde Escolar.
Gerência do Programa de Saúde Escolar

domingo, 24 de junho de 2012

Gestão Democrática nas escolas do DF


Seminários Regionais da Gestão Democrática começam na terça (26)

O objetivo principal dos encontros é socializar o alinhamento estratégico e a gestão democrática e mobilizar para o processo eleitoral de eleição de Diretores e Conselho Escolar.
O cronograma de discussões está divido em dois seminários.
Objetivos específicos do seminário A:
· Socializar os princípios da gestão democrática;
· Socializar o Planejamento e os objetivos estratégicos;
· Fomentar participação de professores e comunidade no processo eleitoral.
Objetivos específicos do seminário B:
· Socializar os eixos e princípios do PPP;
· Socializar missão e objetivos institucionais do PPP;
· Apresentar os instrumentos de apoio à gestão da Unidade Escolar:
· PDE Interativo;
· PDAF e incrementos financeiros;
· Orçamento Participativo da Educação.
Cronograma:
DATA          Seminário A – turno matutino          Seminário B – turno vespertino
3ª f. – 26/junPP/CPP/C
4ª f. – 27/junNB e GuaráNB e Guará
5ª f. – 28/junSobradinho/PlanaltinaSobradinho/Planaltina
6ª f. – 29/junGama e Sta MariaGama e Sta Maria
2ª f. – 02/julCeilândiaCeilândia
2ª f. – 02/julBrazlândia – vespertinoBrazlândia – matutino
3ª f. – 03/julParanoá e São SebastiãoParanoá e São Sebastião
4ª f. – 04/julTaguatingaTaguatinga
5ª f. – 05/julRecanto das Emas e SamambaiaRecanto das Emas e Samambaia
 Veja mais:
- Projeto de Lei da Gestão Democrática (PL 588/2011) 
 - Projeto Político-Pedagógico (PPP)

100 anos de Gonzagão


SCES Trecho 2, Lt. 22,

Programação (24/6)

16h - DJ Cacai Nunes - Forró de Vitrola

18h - Quadrilhas:

1- Triscou Queimou - quadrilha do Paranoá
2- Si Bobiá a Gente Pimba - quadrilha de Samambaia
3- Pau Melado - quadrilha de Samambaia
4- Mexi Mexi - quadrilha de Ceilândia

20h - palco ao ar livre
“Sertão de cores e amores”
Com Moraes Moreira (violão e voz), Carlos Malta e Pife Muderno – (Andréa Ernest Dias (flauta), Oscar Bolão (caixa e pratos) , Bernardo Aguiar (pandeiro), João Hermeto (percussão)

Luiz Gonzaga Raridade - Especial ' Proposta ' Pt.1 ( 1972 ) Partic. Gonzaguinha , Julio Lerner




Luiz Gonzaga Raridade - ' Proposta ' Pt. 2 ( 1972 ) Partic. Gonzaguinha , Julio Lerner




sábado, 23 de junho de 2012

Resposta ao Washington

Você concorda com “batida” policial dentro da sala de aula?

Não concordo! Não resolve o problema! Não aumenta a segurança! 
Só aumenta a tensão! Só aumenta a opressão!
Não pode ser regra, somente exceção! 
A polícia só pode entrar na escola 
para resolver determinada questão pontual 
onde ultrapassa as ações dos educadores e da escola!
Batida policial é ação terrorista de Estado, para controle social!
Só aumenta a discriminação contra os pobres, contra os negros, 
contra os negros pobres de nossas periferias!
É tampar sol com a peneira!
É desistir da juventude como grupo social de direito 
e vê-los como problema (“traficantezinhos”, “marginalzinhos”…?…
é assim que meus colegas chamam nossos alunos?)!
Para que serve a escola, então???
Eu boto fé nessa juventude!
Eu to com essa rapaziada!
A violência em nosso país, existe como um fenômeno social do capitalismo, 
fruto principalmente, da desigualdade social gritante
desse sistema que não deu, não está dando e nunca dará certo!
Para superarmos essa violência devemos confiar nos nossos jovens (e não repreendê-los), 
devemos contribuir para que se organizem pelos seus direitos (ao invés de massacrarmos), 
temos que dar as oportunidades possíveis (e não ilusões impossíveis).
Eu acredito no poder da mudança, senão não seria professor.
A gente pode até morrer tentando (que diga meu amigo Carlos Mota). 
Mas além de ser uma luta que é possível, 
é uma luta necessária para a redenção da humanidade (em nós e na juventude).
Eu boto fé nessa juventude!
Eu to com essa rapaziada!


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Bandidos? de elite? assassinam estudante de 15 anos em favela do Rio
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Boletim (In)Formativo




quinta-feira, 21 de junho de 2012

PPP da SEDF: homenagem a Carlos Mota


SEDF lança Projeto Político-Pedagógico (PPP)

O Projeto Político-Pedagógico (PPP), da Secretaria de Educação do DF, foi lançado oficialmente nessa quarta-feira (20), em um encontro simbólico em homenagem ao educador Carlos Mota, falecido há quatro anos. Na ocasião, amigos expuseram palavras de saudades e relembraram os bons momentos vividos com o professor.
O Projeto Político-Pedagógico já é uma realidade nas unidades educacionais do DF, o qual foi construído levando em consideração as realidades e opinião dos educadores. O projeto tem como eixos principais a cidadania, a diversidade e a sustentabilidade humana, sendo inspirado nas histórias e ideias do educador Carlos Mota que lutava pela inclusão e por uma sociedade mais justa, solidária e feliz.

O secretário de Educação, Denilson Bento da Costa, explicou que o lançamento foi simbólico, tendo em vista que várias ações já estão sendo realizadas em consonância com as metas do PPP, como a implantação da Gestão Democrática, a modernização da rede pública de ensino e melhorias no ensino infantil e profissionalizante.
“Estamos com tudo preparado para modernizar e informatizar a rede pública, além de melhorar as oportunidades, construindo mais creches em atendimento à educação infantil e mais escolas técnicas cuja demanda é muito grande no DF”, reforçou o secretário.
O Projeto Político-Pedagógico (PPP) é uma ferramenta de planejamento, orientação e construção de diretrizes para a rede pública de ensino do Distrito Federal. O documento será um norteador dos Projetos Político-Pedagógicos a serem construídos coletivamente por todos os segmentos atuantes na comunidade de cada unidade escolar, pautados na perspectiva apresentada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica e na Lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional 9.394/96 – LDB, de que as unidades escolares, respeitando as normas e propostas de seus sistemas de ensino, têm a incumbência de elaborar e executar suas propostas pedagógicas, dentro dos preceitos da gestão democrática.
Segundo avaliação do secretário Denilson Costa, o PPP foi construído com muito empenho e participação dos educadores nas plenárias que discutiram o projeto ao longo de 2011. “O projeto tem o nome do Carlos Mota porque sua bandeira era a educação. O documento foi pensado por educadores que desejam mudar a realidade difícil que hoje encontramos nas escolas. Agora vamos compartilhar as responsabilidades entre governo, educadores, família e sociedade – todos em busca da educação que almejamos”, definiu o professor.

Para a secretária adjunta de Educação, Maria Luiza Fonseca do Valle, o PPP eterniza os ideais do educador. “Nosso amigo defendia muitas das propostas que estão neste documento, principalmente a da Gestão Democrática. Obrigada Carlos”, agradeceu, emocionada.
A secretária da Criança Rejane Pitanga e a deputada Erika Kokay avaliam que o projeto é a base para mudar a educação do DF. Para Rejane Pitanga a ação foi mais uma conquista para a educação. “Agora precisamos do apoio dos educadores para implantar o projeto”, avaliou a professora.
“Os elementos fundamentais para uma educação de qualidade estão neste PPP, que precisamos colocar na prática cotidiana das escolas”, acrescentou a deputada Kokay.

Ao final do evento, a emoção contagiou os amigos do professor Mota que encerraram o encontro cantarolando uma das canções prediletas do educador, de autoria de Almir Sater.

“Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
 …..
Todo mundo ama um dia,
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz”.

O evento contou ainda com a presença da educadora Rita de Cássia (viúva de Carlos Mota), de outras autoridades e educadores da rede pública de ensino.
A Subsecretaria de Educação Básica vai encaminhar uma versão do Projeto Político-Pedagógico (PPP) para todas as unidades educacionais do DF.
Tenha acesso a íntegra do Projeto Político-Pedagógico

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Comissão da Verdade na USP


“Em tempos de greve, o texto abaixo nos enche de esperanças de, um dia, termos universidades de verdade em nosso pais”. (Lino Castellani sobre o depoimento abaixo)

O depoimento de Marilena Chauí no ato pela criação da Comissão da Verdade na USP
Confira abaixo a íntegra do depoimento da filósofa, que defende um resgate histórico para que se possa democratizar a universidade de fato.

Confira abaixo o depoimento da filósofa Marilena Chauí no ato pela criação da Comissão da Verdade na USP, realizado ontem, no auditório da Faculdade de Economia e Administração (FEA).



Boa noite a todos e a todas, obrigada pelo convite. Quero começar fazendo duas colocações. A primeira, certamente você sabe, mas sou avó, como alguns colegas de colegial e faculdade. Nós [ela e Heleny Guariba] estudávamos juntas, ela que escolheu o meu namorado, com quem
eu casei. Estive com ela na véspera do dia da prisão, foi a minha casa e tivemos uma longa conversa, fizemos planos, íamos nos ver no dia seguinte, mas eu não a vi mais. Entendo o que a Vera [Paiva] diz, levei muitos anos para enterrar, não podia admitir.

A segunda é de um outro colega meu, o [Luiz Roberto] Salinas, que não morreu na prisão, mas morreu por causa da prisão. Foi preso, torturado, e, na época, ele não fazia parte de nenhum movimento ou grupo, nada. Mas tinha feito muito antes, na altura de 64, e isso aconteceu no final dos anos 70. A esposa dele era jornalista e havia publicado uma matéria, os policiais, militares, não entenderam algumas palavras e interpretaram como um código. Foram ao apartamento deles e, como ela não estava, pegaram Salinas, que foi torturado no pau de arara dias a fio para dizer qual era o deciframento do código, das palavras do artigo da mulher dele. Não era código, não havia o que dizer e ele foi estraçalhado. O resultado dessa prisão: foi anulado, evidentemente, o estado físico do Salinas e o seu estado psíquico. Foram anos para ele se refazer, e nunca conseguiu realmente se refazer. Teve trombose nas duas pernas, tendo que cortar dedos dos pés e morreu com uma síncope. Ou seja, foi morto pela tortura. Amigo meu do coração, entramos juntos no Departamento de Filosofia e, juntos, nos tornamos professores no departamento.

Gostaria de contar para vocês como foi entrar no campus da USP em 1969, logo depois de dezembro de 1968, quando foi promulgado o AI 5. Você vinha para cá e não tinha nenhuma garantia de que não seria preso e torturado, portanto, não sabia se seus alunos estariam na classe e, quando você se dava conta de que alguns não estavam, não ousava perguntar se tinham faltado na aula, se tinham partido para o exílio, se já estavam presos ou se já estavam mortos. E a mesma coisa com relação aos colegas. Tínhamos o pessoal do Dops à paisana nas salas de aula e escutas na sala dos professores e no cafezinho. Éramos vigiados noite e dia.

Eu me lembro que em 1975 a Unicamp fez um congresso internacional de historiadores, e convidou Hobsbawn, Thompson, enfim, a esquerda internacional. Houve as exposições dos brasileiros e os estrangeiros disseram: Nós não estamos conseguindo entender nada do que vocês dizem, não entendemos as exposições e sobretudo não estamos entendendo os debates entre vocês. Então, nos demos conta que falávamos em uma língua cifrada para não sermos presos. A esquerda acadêmica criou um dialeto, uma linguagem própria na qual dizia tudo que queria dizer e não dizia nada que fosse compreensível fora do seu próprio circulo. Foi uma forma de auto defesa e uma forma de continuar produzindo, pensando e discutindo. Ao mesmo tempo, essa forma nos fechou num circulo no qual só nós nos identificávamos com nós mesmos. Isso é uma coisa importante, que a Comissão da Verdade traga o fato de você criar um dialeto, criar um conjunto de normas, de regras, de comportamento em relação aos outros, tendo em vista não ser preso, torturado e morto, durante anos a fio.

Costumo dizer aos mais novos que eles não avaliam o que é o medo, pânico. Sair e não saber se volta, sair e não saber se vai encontrar seus filhos em casa, sair e não saber se vai encontrar seu companheiro, ir para a escola e não saber se encontrará seus alunos e colegas. Você não sabe nada. Paira sobre você uma ameaça assustadora, de que tem o controle da sua vida e da sua morte. Isso foi a USP durante quase dez anos, todos os dias. Além das pessoas que iam desaparecendo, desaparecendo... Ao lado das cassações.

Eu teria gostado que a [Eunice] Durham pudesse ter vindo, porque quando ela fez parte da Adusp na gestão do Modesto Carvalhosa, fez o chamado “Livro negro da USP”, que tem o relato de como foram feitas as cassações. As cassações não vieram do alto. As congregações de cada instituto, de cada faculdade, se encarregavam de denunciar, de delatar e de fazer a cassação. Isso é uma coisa que a Comissão da Verdade precisa deixar muito claro, não foram forças lá de fora que fizeram isso, nem militares. Foram os civis acadêmicos, dentro da universidade, que fizeram uma limpeza de sangue. É uma coisa sinistra, mas foram nossos colegas que fizeram isto.

E, impávidos, quando começou a luta pela volta da democracia, quando começaram as greves no ABC, quando começaram as lutas pela diretas etc e tal, eu ia às assembleias da Adusp e do DCE e ficava lado a lado com muitos deles que estavam ali para fazer a defesa do retorno da
democracia, quando eles tinham sido apoiadores da ditadura. E isto não pode ficar em branco. Uma Comissão da verdade tem que dizer isto.

E eu gostaria também, como uma contribuição ao trabalho da Comissão da Verdade, de retornar ao que o Eduardo e a Vera disseram, o fato de que a estrutura da nossa universidade, mais do que a estrutura de outras universidades que conseguiram se desfazer disso, é a mesma que a ditadura – através do MEC e do acordo MEC-USAID – introduziu no Brasil e aqui se cristalizou. Primeiro, foi feita uma chamada reforma universitária, e essa reforma universitária introduziu a ideia de créditos, a ideia de disciplinas obrigatórias e disciplinas optativas. Como a sustentação ideológica da ditadura era a classe média urbana, era preciso compensar a classe média pela falta de poder econômico e político e a compensação foi através do prestigio do diploma, abriu-se a industria do vestibular, que veio por decreto.

Ou seja, a universidade que vocês frequentam, a universidade que vocês cursam, a universidade que nós damos aula, é a universidade que foi estruturada a partir do Ato Institucional número 5. Em outras universidades, houve força suficiente, do corpo docente, do corpo dicente, para derrubar muita coisa. A estrutura curricular não, continuamos Brasil afora com disciplinas obrigatórias, optativas, créditos, frequência... A introdução dos créditos significou a escolarização da vida universitária. Em uma universidade você pode fazer duas ou três matérias no máximo e você deve ter duas a três horas de aula por semana para cada uma delas, no máximo. O ideal são duas matérias, cada uma delas com duas horas semanais para que você trabalhe o que ouviu em classe, vá para as bibliotecas e laboratórios, faça pesquisas e tenha efetivamente uma vida universitária. A reforma feita pela ditadura, ao escolarizar a universidade, transformou-a em um curso secundário avançado, em um colegial avançado. Isso a Comissão da Verdade tem que mostrar, mostrar as datas em que os decretos vieram, as datas de implantação, quem implantou tudo isso, não pode passar em branco também.

Uma outra coisa que é muito importante é o fato de que as contratações dos jovens professores naquele período não eram feitas nem pelos departamentos, nem pelos institutos, mas diretamente pela reitoria. Estou dizendo isso porque quero fazer um complemento depois a respeito da reitoria atual. Como é que a reitoria procedia? Ela recebia o processo de contratação e mandava para o Dops, para a policia enviar a ficha policial do professor e saber se ele tinha participado de algum movimento. A reitoria queria a ficha policial, que era a ficha política do jovem professor. Em função disso, a reitoria dizia se contratava ou não contratava.

Eu posso fazer um depoimento junto à Comissão da Verdade, se ela quiser, da experiência direta que tive sobre isso. Eu era chefe do Departamento de Filosofia, havia o processo de contratação de um jovem professor e a contratação não saía, os papeis estavam na reitoria e pedi para ser informada do porquê de a contratação não acontecer. Fui empurrada de uma sala para outra sala, para outra sala, e ninguém respondia. Finalmente, fui levada a uma sala ao lado da sala do reitor. Esta sala não tinha janelas, tinha uma porta e duas cadeiras com uma mesinha. Ali, um senhor, um civil, grisalho, muito bem afeiçoado, me mandou sentar e disse para mim: “Vou explicar para a senhora que esta sala não existe, eu não existo e a conversa que nós vamos ter nunca aconteceu. O professor não pode ser contratado porque ele esteve em um encontro estudantil terrorista, então ele não vai ser contratado, aqui está o processo.” E foi quando eu vi, estava tudo anotado a lápis, com as informações sobre ele vindas do Dops. Ainda me disse: “Eu sei que ele era um lambari, sei que não é um perigo para a segurança nacional, mas ele tem essa ficha e não vai ser contratado.” E ele foi contratado, evidentemente vocês podem imaginar o barulho que nós fizemos, todo o escândalo que fizemos e o risco que se corria se ele não fosse contratado. Mas, era uma intimidação direta, não tinha algum esconderijo, era direto, na cara. Eu posso, eu tenho o poder, eu faço e você engole.

A manutenção da estrutura da Universidade de São Paulo tal como ela foi feita a partir do Ato Institucional número 5 pela ditadura é algo que tem que ser devassado se nós quisermos democratizar a universidade. Para democratizar nossa universidade, temos que desmontar aquilo que foi feito no final dos anos sessenta e no decorrer dos anos setenta, é uma tarefa imensa que tem que ser feita. E por que ela tem que ser feita? Porque, no momento que há uma hegemonia no estado de São Paulo de um pensamento privatista e de um pensamento neoliberal, a Universidade de São Paulo está sendo regida por estes princípios, por este reitor. Não é só isso, esse reitor foi formado, teve o aprendizado dele, como dirigente, nesse caldo de
cultura da ditadura. Portanto, é essa forma de gestão que explica essa coisa inacreditável, e isso nem a ditadura fez, de por a polícia dentro do campus para espancar os alunos.

E, para encerrar, me disponho a dar meus depoimentos para a Comissão da Verdade. Penso, como os que me precederam, que tem que ser apanhado um período longo, e penso que, como se trata da Comissão da Verdade da Universidade, no caso da Universidade de São Paulo, é preciso contar não só as histórias ligadas à violência de Estado, ao terrorismo de
Estado sobre os professores e os alunos, mas a maneira pela qual a universidade foi estruturada para ser um órgão da violência, um órgão do autoritarismo. Ela foi estruturada com a cabeça da ditadura e é por isso que ela é autoritária. E é isso que a Comissão da Verdade pode mostrar ao desvendar a maneira pela qual essa estrutura foi montada. E Salinas presente, Heleny presente.