quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Carta De Apresentação Da Gestão 2015-2016 da Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física e o CADERNO DE DEBATES

Esse post vai na lembrança de que como ex-membro do Movimento Estudantil de Educação Física (1999-2003) sinto-me a vontade de apresentar aos novos estudantes de Educação Física a sua entidade máxima representativa da área. Para mim, a EXNEEF representou a ampliação dos horizontes da Educação Física e a elevação de um novo patamar de formação humana e política. 

Certo que os Movimentos Sociais são cíclicos, incentivo para que somem forças aos seus semelhantes. Eis aí a apresentação da atual gestão, seguido do CADERNO DE DEBATES que nada mais é que a síntese do pensamento estudantil acerca de suas principais bandeiras de luta.

Grande Abraço e lambuzem-se!

Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física

Carta De Apresentação Da Gestão 2015-2016

A Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física (ExNEEF), vem por meio desta carta, socializar o término da Gestão 2014/2015 e o início da Gestão 2015/2016, com a recente realização do XXXVI Encontro Nacional de estudantes de educação física (ENEEF) ocorriso em Belém – PA. Nesse encontro, que se caracteriza como instância máxima de deliberações e fórum de discussões do MEEF, o movimento conseguiu fazer um amplo e aprofundado debate acerca da situação política do país, dos movimentos sociais em que a esquerda e o movimento estudantil vem se inserindo, bem como suas pautas específicas que vem sendo acumuladas ao longo dos anos pelo movimento estudantil de educação física. A idéia desta Carta é portanto, socializar brevemente tais acúmulos que balizarão as defesas e ações da próxima gestão.
A ExNEEF é a entidade representativa dos estudantes de Educação Física a nível nacional. Divide-se em uma coordenação nacional e seis coordenações regionais, todas eleitas em plenária final a cada ano no ENEEF. As coordenações se organizam através de seus Conselhos Nacionais de Entidades de Educação Física (CoNEEF’s) e Conselhos Regionais de Entidades de Educação Física (CoREEF’s), que darão conta de organizar, nacional e regionalmente, as escolas e entidades, com espaços de formação e debate político em torno das questões referentes às especificidades da área (formação profissional, saúde, lazer, megaeventos esportivos, etc), e em torno da pauta de universidade, conjuntura, opressões, entre tantos outros temas fundamentais à nossa formação.
O MEEF/ExNEEF tem por referência quatro bandeiras históricas, a partir das quais o movimento constrói suas defesas e organiza sua atuação. São elas: (I) A defesa da Universidade pública, gratuita e de qualidadereferenciada nas demandas da classe trabalhadora, e que portanto nos colocamos na contrariedade à atual Contra-Reforma Universitária, implementada pelo governo PT; (II) A defesa da Licenciatura Ampliada enquanto projeto de formação humana, que se contrapõe à atual fragmentação da área entre Licenciatura e Bacharelado; (III) A regulamentação do trabalho, em contraponto à regulamentação da profissão defendida pelo sistema CONFEF/CREF; e (IV) A defesa de um outro projeto de sociedade, o projeto histórico socialista.
            Além de empunhar tais bandeiras, a partir de seus posicionamentos, o MEEF constrói hoje dois instrumentos de diálogo com os estudantes, que são as campanhas, “Educação física é uma só! Formação unificada Já!”, a fim de impulsionar as lutas nos DAs/CAs em torno da pauta da formação em Educação física; e a Campanha “Dos Megaeventos eu abro mão!” expondo o posicionamento do MEEF de contrariedade aos megaeventos esportivos que, por trás de toda aparência do desenvolvimento e ganhos para o país, carregam consigo a remoção de mais de 100 mil famílias, a naturalização do genocídio da juventude negra e a afirmação do esporte espetáculo, resumido meramente a mais uma mercadoria. Grandes investimentos na construção de estádios, arenas, vias e rodovias, garantindo o lucro dos grandes empresários e empreiteiros, à custa da precarização sistemática da saúde e da educação.
Em meio à crise global, que vem ano após ano se intensificando, principalmente através da retirada de direitos dos trabalhadores, está colocada a figura do PT e o papel que vem representando no Brasil enquanto um partido da ordem, implementando toda a cartilha neoliberal na qual já se baseavam Collor e FHC. Assim, o mesmo PT que nasce das mobilizações da classe, hoje se apresenta enquanto mais um dos instrumentos de lucro dos grandes empresários, o que se mostra na Reforma da previdência (2002), Reforma Universitária (2004), Privatização dos Hospitais universitários (iniciada em 2010) principalmente através da criação da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), redução da maioridade penal, leis que tem como objetivo a intensificação da precarização das condições de trabalho, como a PL 4330 (PL das terceirizações), o corte histórico de 9,4 bilhões da verba destinada para as universidade públicas, além de várias outras políticas de privatização da educação, saúde, transporte e do esporte, casada com a cooptação e a criminalização dos movimentos sociais que se colocam contrários a toda essa política.
Entendemos, portanto que o PT representa pra além de um simples partido, um Projeto em andamento, o Projeto Democrático Popular que foi construído pela classe no último período. O MEEF, mais uma vez em seu maior fórum de debates, negou tal projeto, entendendo que o mesmo não atende às demandas da classe trabalhadora. Tendo por base essa análise é que olhamos para as Jornadas de junho, quando pela primeira vez após dez anos de anestesia social, se tem um questionamento de massas à política colocada em curso pelos governos Lula/Dilma/PT. Além disso, olhando para as eleições presidenciais ocorridas recentemente, o conjunto de estudantes presentes no XXXVIENEEF compreende que a falsa polarização criada nesse período, de fundo não expressam projetos antagônicos de sociedade, mas sim, são faces da mesma moeda representando os anseios da burguesia, e a disputa de quem gerenciaria seus interesses. Após a vitória, o posicionamento do governo Dilma de já anunciar futuros cortes no orçamento com o ataque a mais direitos e a nomeação de Kátia Abreu (expressão do ruralismo) para o Ministério de Agricultura  deixam claro mais uma vez de que lado esse governo está.
Tais ataques aos trabalhadores incide de maneira ainda mais intensa sobre os setores oprimidos da sociedade como os negros, mulheres e LGBTT’s que enfrentam diariamente a negação de suas identidades e a superexploração “justificada” ideologicamente. Através de um amplo e qualitativo debate, apontamos neste último encontro a necessidade de debatermos as opressões nos espaços do MEEF e a importância de se fazer esse debate na perspectiva do debate de classe.
Vivenciamos em 2012, a maior greve das Universidades federais desde a década de 90, que conseguiu criar a unidade entre servidores, docentes e estudantes. Já neste ano de 2015, anunciado o corte de 9,4 bi, e com ele demissões, Projetos de Leis que aumentam a terceirização dos serviço público, mais sobrecarga para os trabalhadores e menos condições de estudo e permanência, as greves continuam explodindo por todo o país e que, somada às mobilizações de junho, referendam uma análise: a UNE está falida para as lutas estudantis, havendo a necessidade de superação dessa entidade que hoje se coloca na contramão do movimento combativo e de luta. Dessa forma, em mais um encontro nacional o MEEF reafirma a deliberação construída em 2008 e que vem ano após ano referendando: de rompimento com a União Nacional dos Estudantes, a necessidade de se pensar novos instrumentos que consigam articular e dar unidade às lutas estudantis e a tarefa colocada, de intensificar o trabalho de base nas universidades de forma a contribuir com esse processo de reorganização.
O MEEF mais uma vez delibera que uma nova entidade, pelas demandas do movimento e limitação do que está posto, se distancia da Assembléia nacional dos estudantes livres (ANEL), que não consegue dar respostas concretas as lutas estudantis, pois faz-se através de um método de construção do movimento, que tende a esvaziar o debate político das demandas do mesmo, subsumindo-as as demandas de partidos e coletivos organizados, expondo a necessidade do movimento retornar às bases, disputando consciências e de reafirmar a necessidade do novo, de um movimento estudantil autônomo, classista e anti-governista, despido dos vícios de autoconstrução e hegemonismo que vemos hoje na esquerda, casando esse debate da reorganização do Movimento Estudantil com as pautas específicas, no dia a dia dos estudantes.
Frente a esse período, de reorganização e fragmentação da esquerda, o MEEF se coloca em unidade nas lutas com os setores combativos e que se colocam em contrariedade aos ditames desse governo, posição que nos fez construir em 2011 junto a outros setores, a campanha pelos ‘10% do PIB para a educação pública já!’, e no ano de 2014, potencializar a construção do Encontro Nacional de Educação, enquanto novo ponto de partida unitário das lutas por outro projeto de educação.
Convocamos a todos os estudantes de educação física, a construir o movimento estudantil de educação física em suas escolas, potencializando o constante trabalho de base, organizando e fortalecendo os Diretórios e Centros Acadêmicos (DAs/ CAs) e coletivos organizados, para que dessa forma consigamos contribuir com nossa parcela na reorganização do movimento e avançar, ombro a ombro com os que lutam na construção de um projeto no qual o futuro se torne respirável.
Saudações Estudantis!
Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física – ExNEEF
Gestão 2015-2016
Coordenadores Nacionais
Coordenação Geral
Renan Furtado
Julia Leite
CID (Coordenação de Imprensa e Divulgação)
Fabio Tanowe
Igor Barbosa
Finanças
Willy Dias
Rodrigo Rezende
CEPE (Coordenação de Ensino Pesquisa e Extensão)
Marina Neves
Pedro Santos
R1
Victor Linares Soares
Jader Martins Ferreira
Vinícius Pereira Chieppe
Rodrigo de Siqueira Souza
Alex Natalino Ribeiro
R2
Pablo Roberto Barbosa de Andrade
Heytor da Silva Antunes
Gustavo de Oliveira Alves
Raphael Duarte Reis
Monique Marçal Grossi
Henrique Auxêncio Oliveira Souza
Gabriel José Inácio
Igor Andrade Bezerra da Silva
Rodrigo Nunes da Silva
Thalita Regina de Oliveira
Camila Sonja Chagas Braga Borges
R3
Heleno Amaro da Silva Júnior
Crislane Annie da Silva Oliveira
Ciclos Fortunato da Silva
Lívia de Cerqueira Santos
Josino Vaz da Silva Dias
Maria Laiane Taise da Silva de Oliveira
Rodrigo Gomes
Marcos Alberto Ribeiro de Barros
R4
 Alana Paraense
 Alexsander Braga
Ana Paula Chagas
Andreza Pereira
Daniele Gascue
Diogo Tavares
Gleicy Oliveira
Harrison Souza
Joseane Oliveira
Janaína Barros
Letícia Santiago
Lucilene do Nascimento
 Saulo Viana
Raíza da Silva
R5
 Marta Vieira da Silveira
Ana Karla Rodrigues Pereira
Raphael de Lima Moura
Mariana Rodrigues Vaz
Ésli Rian de Soouza Queiroz
Murilo Silva
Reinaldo Magalhaes
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O CADERNO DE DEBATES sintetiza a produção dos estudantes acerca de suas bandeiras históricas e temas relevantes da área!

Cadernos de Debates

Caderno de Debates 2015 – Gestão 2014/2015
Caderno de Debates 2012 – Gestão 2011/2012
Caderno de Debates 2011 – Gestão 2010/2011
Caderno de Debates 2010 – Gestão 2009/2010